Papai Cris tem sido um capítulo à parte nesse enredo todo. Ele é o tipo de homem, o tipo de pai, que sempre sonhei pra filho meu. Ele não é o "pai que ajuda", ele é "o pai que faz".
Por que diz-se do pai que troca o neném, dá mamadeira, que "está ajudando a mãe"? Ajudando porra nenhuma! Desde quando a própria obrigação é ajuda? A mãe que amamenta faz algum favor ao filho? Não. Então o pai em dia com seus afazeres paternos favor nenhum faz a ninguém.
Graças a Deus pensamos igual nisso. Responsabilidade materna e paterna são iguais, idênticas. Em caso de cesária, a do pai é maior ainda, uma vez que a mãe encontra-se num período curto de tempo debilitada.
Minha sogra queria tirar 10 dias de férias pra ficar aqui em casa, porque segundo ela "alguém tem que dar banho no neném". Sim, alguém tem que dar banho, se eu estiver operada, e esse alguém OBVIAMENTE é o pai. Cris bate o pé nas suas responsabilidades, graças a Deus.
Quero minha casa cheia de gente sim! Vovós, vovô, titios, titias e padrinhos, todo mundo bajulando meu pimpolho. Mas não quero saber de gente acampada aqui como se "o pai não tivesse jeito com criança". Que preconceito mais brutal e antigo!
Graças a Deus, não casei com um marido-banana, daqueles que não sabem escolher uma abóbora no supermercado, não entendem de material de limpeza, não sabem lavar um banheiro, ou da necessidade e prontidão de trocar a roupa de cama toda semana.
Meu marido é perfeito. Lava roupa, pendura, passa. Cozinha de tudo (e muito bem, diga-se de passagem), faz compras sozinho, dá faxina, lava banheiro. Tudo isso sem pedir. As tarefas aqui em casa são divididas por igual. Se ele percebe que a roupa do varal já está seca, o que ele faz? Ele tira e guarda, ora bolas.
O marido-banana não, o marido-banana foi criado por uma mãe-banana e está acostumado que o mundo venha à ele. Aí ele casa com uma esposa-banana, que com certeza dará continuidade à tarefa bananística de mimar o beberrão, e juntos terão vários filhinhos-bananinhas. Filhinhos-bananinhas são aqueles que as matriarcas-bananas (a mãe) não ensinam a levar o próprio prato da mesa à pia, mas a sua irmã já está mais do que treinada. Afinal, ela é mulher.
Do seguimento marido-banana, tem uma evolução pros pais-bananas. Aqueles que falam não saber segurar o bebê porque está muito pequeno ainda, mas não fazem questão alguma de aprender. Como se as mães saíssem da sala de cirurgia sabendo. São meros figurantes e qualquer obra feita passa a ser "ajuda" e com certeza é pra fazer firula pra amigo.
Graças ao meu bom Deus, meu super maridão, sabe tudo de pré natal (muitas coisas ele quem me tira as dúvidas), conversa com essa barriga o dia inteiro, escolhe o tom do azul do algodão pro lençol do berço e ainda pede amostra de tecido nas lojas! Opina, bate o pé quando acha que deve, silencia quando acha que deve. Ele engorda junto comigo, come junto comigo, dorme junto comigo, e fica mais chorão e sensível do que eu. Ele, COM CERTEZA, engravidou junto comigo.
E se meu bom Deus não permitir que eu siga com os meus planos de ter um parto normal, caso eu tenha que operar, vai ser ele, meu maridão e paizão do Théo, quem dará os banhos, curará o umbigo, e tudo aquilo que eu não estiver apta a fazer por conta da cirurgia.
Ele precisará de ajuda no início? Com certeza sim. Aí que está a diferença: Ele será ajudado por alguém, ele não irá ajudar alguém. Porque a responsabilidade é dele.
E assim, juntos, entre trancos e barrancos, iremos juntos botar um homem-não-banana, um homem diferente nesse mundo. Porque é isso que eu quero do meu filho, é essa a minha responsabilidade com o Universo.
Estou contando, filho meu, os dias longos
Prá ver-te a face, ouvir-te o pranto e te embalar.
O teu semblante na minha mente já vislumbro
Só falta , agora, o grande dia então chegar.
O tempo passa, já é quase inverno,
Seria lindo ter-te aqui perto de mim.
Mas te esperar é sempre tão sublime espera,
Que não me cansa, tal singelo folhetim.
A te esperar, imploro ao Rei do Universo,
Prá dar saúde e inteligência ao meu querido.
E nessa ânsia, rezo muito e faço um verso,
Àquele que em meu coração já tem vivido.
Talvez um dia, venhas a ler estas linhas
E aches graça do que teu pai escreveu.
Mas te asseguro: são sinceras e são minhas,
Estas palavras que escrevo ao filho meu...